Crédito Bancário

Segundo a sua definição, o crédito bancário é um produto financeiro, no qual existe cedência de capital. É uma operação de caráter comercial, que tem como objetivo realizar lucro, através de juros sobre o capital emprestado.

É uma operação financeira que apenas pode ser realizada por instituições financeiras devidamente credenciadas pelo Banco de Portugal.

O acesso ao crédito desempenha um papel essencial na economia dos países, já que representa uma ferramenta de expansão económica. Sem o acesso ao crédito bancário, o número de transações bancárias seria consideravelmente menor.

Contudo, por vezes são aplicadas restrições ao crédito, principalmente como medida para combater a inflação.

O crédito bancário pode ser direcionado para empresas e particulares. É possível também segmentar o crédito bancário em duas modalidades distintas: por assinatura e por reembolso.

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Breve Apontamento Histórico sobre o Crédito Bancário em Portugal

Nem sempre os portugueses tiveram acesso ao crédito bancário. Na verdade, esta forma de financiamento é relativamente recente no nosso país. Até 1987, apenas as empresas tinham acesso a crédito bancários. Os particulares eram obrigados a procurar outras formas de financiamento, como a venda de bens pessoais, as penhoras e muito frequentemente, pedindo dinheiro emprestado a familiares ou amigos.

As próprias instituições financeiras tinham fortes restrições na concessão de crédito, já que o Banco de Portugal definia à partida qual o plafond de dinheiro que cada banco podia emprestar. Assim, os bancos apenas poderiam emprestar a sua quota-parte de dinheiro.

Caso um banco atingisse o seu limite e pretendesse continuar a emprestar dinheiro, era obrigado a negociar com outro banco, por forma a comprar direitos de crédito. Este tipo de crédito bancário, altamente regulamentado e restritivo não satisfazia a necessidade de nenhum dos intervenientes no mercado: nem os bancos, nem as empresas, nem os particulares conseguiam tirar realmente proveito deste mercado.

Com a chegada dos Acordos de Basileia, terminaram as limitações no acesso ao crédito. Os bancos passaram a poder conceder créditos, sendo-lhes apenas imposto um limite calculado através do rácio de capitais próprios. Basicamente, esta regra estipula que quanto mais capital próprio um banco possui, mais crédito bancário pode conceder. Este ponto pretende salvaguardar um rácio de solvabilidade financeira sustentável.

Assim, surgiu um verdadeiro mercado de crédito bancário em Portugal, contribuindo para o crescimento da economia e para uma melhor qualidade de vida.

Contudo, sendo algo novo no país, também se assistiu ao lado negativo do crédito, com a concessão demasiado facilitada de empréstimos a conduzir a muitas situações de crédito malparado.

O Crédito Responsável

O acesso responsável ao crédito bancário é um conceito bastante em voga na atualidade, em resultado das dificuldades que muitas famílias enfrentam hoje para cumprir com as suas obrigações financeiras.

As instituições financeiras são hoje obrigadas a prestar mais esclarecimentos e a informar os clientes sobre todos os aspetos da concessão de um empréstimo.

Hoje existem também mais medidas de apoio aos consumidores em dificuldades. Medidas essas que passam, por exemplo, por aumentar o prazo de pagamento de um crédito. O grande objetivo destas medidas passa por evitar situações de sobreendividamento.

A crise financeira que se abateu sobre os países desenvolvidos nos últimos anos deu origem a uma nova forma de olhar para o crédito. Foram muitas as instituições financeiras que foram afetadas pela crescente dificuldade dos consumidores em saldar as duas dívidas.

Desta forma, o crédito bancário tornou-se mais conservador e o acesso ao financiamento é hoje mais difícil do que era há 10 anos atrás. Estas medidas afetam diretamente o crescimento económico, mas têm a intenção de tornar o acesso ao crédito mais sustentável e sólido.

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